sexta-feira, 15 de julho de 2011

Onde estará Inácio?

Eu que de louca, tenho um pouco de mulher.
Fico maquiando a solidão. Escrevendo poemas para alguém que não existe. Me olhando no espelho e fazendo tipo. Conversando sozinha. Cantando na cozinha. E observando o comportamento das formigas.
Sinto saudades do meu cachorrinho já falecido.
Penso como seria bom ter um filho. E como seria difícil cria-lo sozinha.
Leio um livro de romance, em seguida pego no sono. Durmo e sonho com um desconhecido. Se o conheço tenho certeza que não é dessa vida.
No sonho ele me envolve nos braços, me deita no chão e sussurrando no meu ouvido diz:


"Casa comigo, que eu te dou um filho menino"


Eu olhava fundo naqueles olhos cor de amêndoas. Quando o telefone toca e me acorda do sonho. Numa tentativa inútil meu inconsciente tenta retardar o barulho que faz o maldito telefone interruptor de sonhos. Atendo, e como si não bastasse era engano.


- Por gentileza, o Inácio está?
- Não, ele não está porque aqui não mora nenhum Inácio.
- Então desculpe o incômodo, foi engano.


"Inácio , Inácio seja quem for,  foi cúmplice em atrapalhar meu sonho."


Ao repetir aquele nome sorri caindo em devaneio.
O homem, o telefonema, aquele nome. Será mesmo um simples engano?
Talvez não. Eu conheci Inácio, minutos antes do telefone tocar. Aquele homem, agora tinha um nome. Podem me chamar de insana, sei que sou. Sonhadora cafona, menina brincando de ser louca. Não me culpem, não tenho culpa de ter nascido sob lua pisciana. Deixe-me continuar sonhando...
Meu Inácio é moreno tem olhos cor de amêndoas, cabelos escuros e desalinhados. Carinhoso, de aspecto inteligente. Parece o homem perfeito para ser pai de um filho meu.
De repente a brincadeira tola perde a graça.


"Oh céus ! o que estou fazendo...além de enlouquecer."


Tudo não passou de um sonho sem sentido como todos os outros e um telefonema por engano.
O dia ainda tem que prosseguir e posso ouvir a realidade me gritando.
Isso tudo deve ser pelo cansaço, do dia ou da vida.
Preparo um café, enquanto elaboro teorias sobre destino, coincidências e espiritismo.
Volto a pensar em Inácio. Mas não o Inácio do sonho, mas sim o real. Um tal de Inácio que existe e não é fruto da minha imaginação.
Quem será esse homem?
Volto a me questionar se aquilo poderá ter sido um sinal. Sem saber que estava apelidando a solidão de semáforo.
Ora! Está na hora de acordar, aquilo não foi nada. Tenho que fixar minhas idéias na realidade. Preciso de mais café. Preciso que o dia acabe logo, preciso me esquecer do Inácio.

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